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Kim Il-sung não

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18 | MUNDO | PÚBLICO, SEG 15 ABR 2013

No aniversário de Kim Il-sung há muitas canções e também se dança em Pyongyang

Kim Il-sung não

Hoje os norte-coreanos estarão a celebrar o 101.º aniversário de Kim Il-sung. Em dias como este, as crianças recebem guloseimas.

Lee Kyeong lembra-se bem disso.

“Vêm em saquinhos com uma mensagem: ‘Come tudo. E depois agradece ao Grande Líder’.” Não era difícil comer tudo. Passou a maior parte da infância a procurar ervas nas montanhas para ter alguma coisa no estômago, apanhar paus para vender, ajudar os pais no campo — “apesar de ser uma criança pequena, era considerada uma trabalhadora”.

Às vezes não havia mesmo o que comer. “Três dias seguidos sem nada”. Hoje os norte-coreanos estão a festejar, mas esta jovem de 28 anos celebra outra coisa.

Ela e outros refugiados juntam- se aos domingos numa igreja presbiteriana em Seul. Trocaram deus por Deus. Na Coreia do Norte era a Kim Il-sung e à sua descendência que tinham de

Pode-se nascer e viver uma vida inteira sem nunca duvidar que o líder da Coreia do Norte é um deus. Lee Kyeong teve de vir para o Sul para perceber que deus não está ali

prestar devoção. E era sincera. Mas agora estão no Sul, a realidade é outra. E encontraram Jesus Cristo.

Kyeong nunca tinha ouvido falar de Jesus até vir para o Sul. “A religião ali é o Kim Il-sung”, diz.

“Ele não era um homem, era um deus. Metade homem, metade deus. Costumávamos acreditar mesmo nisso”.

Quando o actual líder Kim Jong-un, neto de Il-sung e fi lho de Jong-il, subiu ao poder, depois da morte do pai, já Kyeong estava em Seul. De qualquer maneira, ela acha que as coisas estão a mudar. “Mesmo com a lavagem ao cérebro que ainda fazem, já não acreditam tanto, porque vai chegando alguma informação de fora”. Canta uma música de louvor ao fundador, uma canção que hoje milhares de crianças deverão estar a cantar, mas tem que consultar o seu smartphone Samsung para tirar dúvidas sobre a letra.

A igreja é na verdade uma escola. Os cinco mil membros tinham dinheiro para um templo moderno, mas decidiram usá-lo para garantir o ensino a crianças com autismo, e aos domingos as salas transformam-se em locais de culto. Um dos espaços está reservado aos norte-coreanos, que às 12h30 fazem um serviço.

O pastor apresenta uma rapariga que acabou de conseguir trabalho.

Salva de palmas. Fala depois de outro que foi para os EUA. Salva de palmas. “Vamos fazer da sessão um mote para a reunifi cação da Coreia” (dividida desde 1945), diz.

Há gente de todas as idades, umas com a Bíblia na mão, outras com papéis. Bebe-se café em copos de papel. Num canto está um piano, que acompanhará os cânticos (“Por favor, ajuda-me a viver com sinceridade e santidade”), uma bateria, uma guitarra. O encontro vai acabar com um abraço.

Um privilegiado Kim Tae-song, de 62 anos, também acreditava na religião.

“Uma religião de uma ditadura do proletariado juntamente com

Reportagem Francisca Gorjão Henriques, em Seul

Kerry defende solução pacífica para crise na península coreana

EUA prometem fazer “tudo o que for necessário” para proteger os aliados

O

secretário de Estado norte- americano, John Kerry, afirmou ontem, no Japão, que Washington quer uma solução pacífica para o clima de tensão na península coreana, mas prometeu proteger os seus aliados asiáticos contra qualquer ameaça da Coreia do Norte. “Acho muito infeliz que os media estejam a dar tanta atenção ao tema da guerra, quando devíamos estar a falar sobre as possibilidades de paz.

E acho que essas possibilidades existem”, disse John Kerry numa conferência de imprensa em Tóquio, após uma reunião com o seu homólogo japonês, Fumio Kishida.

O secretário de Estado dos EUA concluiu no Japão uma visita de três dias à Ásia, depois de se ter reunido com os dirigentes da Coreia do Sul e da China, com quem discutiu o programa nuclear norte-coreano e o actual clima de tensão na península.

Depois de ter assegurado a Seul que não deixará cair o seu aliado e de ter procurado mais apoio em Pequim para pressionar o regime de Kim Jong-un, Kerry sublinhou ontem que os Estados Unidos farão “o que for necessário” para defender o Japão. Mas o responsável deixou também uma mensagem que pode contribuir para aliviar a escalada da tensão que tem

marcado o último mês: “A nossa opção é negociar. A nossa opção é dialogar e encontrar uma forma de levar a paz à região.”

O ministro dos Negócios Estrangeiros japonês reforçou que o Japão e os Estados Unidos querem que a Coreia do Norte abandone o seu programa nuclear. “Acordámos que a Coreia do Norte deve cessar o seu discurso e o seu comportamento provocatórios e que mostre que está a dar passos concretos com vista à sua desnuclearização”. A mensagem foi clara: “Não podemos permitir que a Coreia do Norte possua armas nucleares, seja de que forma for”, disse Fumio Kishida.

“A religião ali é o Kim Il-sung”, diz Kyeong. “Ele não era um homem, era um deus.

Metade homem, metade deus.

Costumávamos

acreditar mesmo

nisso”

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