Sua Excelência José de Matos Correia, Vice-Presidente da Assembleia da República, Deputado Vitalino Canas, Presidente do Grupo Parlamentar de Amizade e restantes membros
Sua Excelência Eurico Brilhante Dias, Secretário de Estado da Internacionalização, Sua Excelência Enna Park, Vice-Ministra e Embaixadora para a Diplomacia Pública da República da Coreia,
Senhor Hyeok-jong Oh, Presidente da KOTRA Europa, Distintos participantes,
Caros convidados,
Muito obrigado pela vossa presença. Gostaria de agradecer especialmente a presença e constante encorajamento de Sua Excelência José de Matos Correia, Vice-Presidente da Assembleia da República.
Cheguei a Portugal a 22 (vinte e dois) de Novembro do ano passado – quase há um ano!
– e apresentei as minhas credenciais ao Presidente Marcelo Rebelo de Sousa a 12 (doze) de Janeiro deste ano. Desde que cheguei, sempre quis organizar um seminário como o de hoje, portanto é um verdadeiro prazer estar aqui, neste belo auditório, entre oradores e convidados tão distintos.
Trabalhámos muito para tornar este seminário uma realidade, mas posso dizer com toda a sinceridade que não estaríamos aqui hoje sem o Deputado Vitalino Canas, Presidente do nosso Grupo Parlamentar de Amizade. Ao longo destes últimos dez meses o Deputado desempenhou um papel fundamental no planeamento deste seminário. Um muito sincero obrigado por todos os seus esforços!
Gostaria também de agradecer a Sua Excelência Ferro Rodrigues, Presidente da Assembleia da República, pelo seu interesse e incentivo. Infelizmente a sua agenda não lhe permitiu estar presente aqui hoje. Mas sei que ele acredita, tal como nós, que este seminário é um passo importante na promoção de relações bilaterais cada vez mais próximas entre os nossos dois países.
Desde o estabelecimento de relações diplomáticas em 1961 (mil novecentos e sessenta e um), os nossos dois países têm uma relação sólida em todas as áreas:
política, económica, social e cultural. Portugal é também um importante membro da União Europeia, uma organização com a qual a República da Coreia mantém uma relação muito próxima, uma quase-aliança.
Apesar dos constantes avisos da comunidade internacional e de todos os esforços diplomáticos de dissuasão, a Coreia do Norte realizou até agora seis testes nucleares e só neste ano mais de vinte lançamentos de mísseis de médio e longo alcance. Portugal é um aliado constante, ficando do nosso lado sempre que a Coreia do Norte viola normas e compromissos internacionais, incluindo resoluções relevantes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Actualmente as relações diplomáticas entre Portugal e a Coreia do Norte estão paradas, são praticamente inexistentes.
As relações entre a Coreia e Portugal assentam realmente em bases muito sólidas e têm-se tornado mais fortes e próximas ao longo do tempo. Para mim não foi coincidência que o Engenheiro António Guterres tenha sucedido ao Senhor Ban Ki- moon como Secretário Geral das Nações Unidas.
Dito isto, ainda temos muito trabalho por fazer nas relações económicas. O volume de comércio entre os nossos países é escasso considerando o nosso potencial de crescimento. Ao longo dos últimos dois anos o comércio e investimento estagnaram nos 700 (setecentos) milhões de dólares, enquanto o investimento acumulado ficou pelos 800 (oitocentos) milhões de dólares. Podemos melhorar!
Para corrigir esta situação, para a melhorar, todos nós aqui presentes hoje, em conjunto com as agências relevantes nos nossos países, estamos a trabalhar em como resolver esta situação. Este seminário faz parte desses esforços e não tenho dúvidas de que a troca de visitas de altos funcionários também é fundamental.
Em Julho, uma delegação Portuguesa, liderada pelo Secretário de Estado da Internacionalização visitou a Coreia. Em Setembro, a Secretária de Estado do Turismo visitou a Coreia e o Secretário de Estado Adjunto e do Comércio participou na reunião ASEM de Economia, em Seul. Recentemente, duas delegações económicas estiveram na Coreia onde reuniram com os seus homólogos, onde se incluiu a KOIMA (Associação de Importação da Coreia), a KITA (Associação Coreana de Comércio Internacional) e o ICAK (Associação Coreana de Empreiteiros Internacionais).
Também recebemos várias delegações coreanas, entre elas: a visita do Vice-Presidente da Assembleia Nacional, de três delegações parlamentares, de um Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros, do Vice-Presidente da Comissão de Radiodifusão e Comunicações da Coreia, do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Busan, a segunda maior cidade coreana e de um Juiz do Tribunal Constitucional. O Presidente Ki-poong Park, da Associação Coreana de Empreiteiros Internacionais visitou Lisboa e o Porto no mês passado e concluiu Memorandos de Entendimento com duas associações portuguesas. Tenho a certeza de que brevemente vamos colher os frutos do trabalho que temos vindo a desenvolver.
Os nossos países também procuram maneiras de aumentar o número de turistas. No ano passado tivemos mais de 100 (cem) mil turistas coreanos em Portugal. Entre eles, cerca de 36 (trinta e seis) mil tinham como objetivo visitar o santuário de Fátima. Até ao final do ano contamos com um aumento de 20% (vinte por cento) nestes números, considerando o centésimo aniversário das aparições de Nossa Senhora. Portugal está a tornar-se um destino cada vez mais popular entre os coreanos. Contudo, o número de turistas portugueses a visitar a Coreia não é assim tão alto. Esperamos que mais portugueses visitem a Coreia com as Olimpíadas de Inverno de Pyeongchang, que vão ter lugar entre 9 (nove) e 25 (vinte e cinco) de Fevereiro de 2018 (dois mil e dezoito).
Neste momento a Web Summit 2017 (dois mil e dezassete) está a decorrer em Lisboa e a Coreia tem uma forte representação com mais de 30 (trinta) start-ups na área das
tecnologias de informação. Além disso também temos connosco a Vice-Ministra para a Diplomacia Pública, Embaixadora Enna Park, que se juntou a nós no último momento.
Creio que isto são sinais positivos de que estamos no caminho certo.
Já temos muitas ideias sobre como enriquecer e aumentar as nossas relações económicas: um voo directo entre os nossos países, cooperação tecnológica na área das tecnologias de informação e nas energias renováveis, promoção do comércio e investimento, avançar em conjunto para mercados terceiros, especialmente em África e na América do Sul. Agora temos que trabalhar em como tornar estas excelentes ideias em realidade.
Senhoras e Senhores,
Há uma ligação muito especial entre Portugal e a Coreia que se calhar alguns de vós não conhecem: o primeiro ocidental a pôr pé da Coreia foi o comerciante português João Mendes. Partilhamos também uma ligação geográfica, o Cabo da Roca, localizado a norte de Lisboa, é o ponto mais ocidental do continente Euro-asiático; Tomal (que significa literalmente o fim da terra), o ponto mais oriental da Eurásia, fica na Coreia.
Por isso, para todos os coreanos que visitam Portugal é quase obrigatória uma visita ao Cabo da Roca.
Cheguei a Portugal no início de um novo período de desenvolvimento. Vou fazer o meu melhor para desempenhar um papel construtivo nos esforços para ligar os nossos dois países, ainda que estes estejam em pontos opostos do continente Euro-asiático, não nos devemos ver como o princípio ou como o fim, devemos ver-nos como um só.
Acredito e confio que cada um dos presentes aqui hoje irá cooperar activamente para o nosso objetivo comum de desenvolver ainda mais os nossos países. Este seminário é uma importante ocasião para partilharmos a nossa sabedoria de forma a melhorar as relações económicas bilaterais. Estou pronto para ouvir os especialistas aqui presentes e espero que no final do seminário tenhamos muitas ideias pragmáticas e sugestões para serem trabalhadas.
Obrigado!